quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Sem saída

Meu carro não tem ar condicionado. Então conto apenas com a abertura das janelas. O ar circula enquanto o veículo desliza sobre o escaldante asfalto dos dias quentes deste janeirão de 2014. Sabe aquele horizonte de piche derretido? A máquina sofre, o ponteiro da temperatura logo alcança o máximo e a ventoinha se desdobra. 

Depois do almoço os termômetros tinham acabado de passar pelos 30. O trânsito seguia normal e, no céu, as primeiras cumulus nimbos já estavam estacionadas. "Pode ser que chova mais tarde", pensei. 

Descobri que dirigir com a janela aberta é prejudicial à saúde. Meu braço esquerdo não parece ser da mesma pessoa que ostenta o membro superior direito. Um é quase negro. O outro moreno claro. O braço canhoto é alvo constante dos raios ultravioleta, pensei. Protetor solar é a solução. E quando esqueço dirijo com o braço ligeiramente recolhido. Neste dia eu esqueci e somente lembrei quando o trânsito já estava parado há 5 minutos.

Trânsito parado pode ser reflexo de semáforo demorado ou até excesso de veículos à frente. Se o tráfego continua estagnado por mais de 5 minutos, na minha opinião, é sinal de que algo pode ter acontecido. Estar na inércia por mais de 10 é ter certeza que existe algo de errado.

Ficar estacionado no meio da pista em uma fila de carros aguça a curiosidade. É normal pensar no que pode ter ocorrido lá na frente. Acidente? é sempre a primeira opção que estala na mente. Só que uma caminhonete à minha frente conseguiu subtrair meu campo de visão do horizonte de automóveis.

O sol ainda era forte, mas outras nuvens de chuva faziam companhia às primeiras cumulus. Eu estava na faixa da esquerda e do meu lado direito chegou um caminhão pesado que começou a expelir fumaça preta na minha direção. Fechei a janela direita. O calor aumentou em questão de segundos. Pensei: "Tenho que sair daqui", imediatamente.

Já estava parado no mesmo lugar por mais de 15 minutos Alguns motoristas desligaram o motor. O caminhão não. Pois bem, dei seta à direita, consegui sair da pista e entrar no bairro. A impressão é que todos os carros tiveram a mesma ideia. Sendo assim: bairro e a avenida engarrafados. O tempo fechou e a chuva pesada era questão de minutos. 


Pois bem. Todos os carros que optaram por cortar caminho pelo bairro teriam de voltar para a pista. Um rio com nome de cidade, logo à frente, era o limite. Resultado: tudo travado. Pista, bairro e acessos à pista. Parei em um posto de combustíveis e desci para comprar uma água. A chuva veio forte e pesada. Eu já estava atrasado. 

Tudo virou um caos. Consegui cortar caminho pelo bairro e pulei uns dois quilômetros de engarrafamento pelos trepidantes paralelepípedos. No entanto, tinha de voltar para o caminho de origem. Após mais de 10 minutos aguardando para entrar na pista, consegui. A chuva refrescou o ambiente e a impressão era de que estava prestes a descobrir o causador do grande engarrafamento.

Ingressei em um trecho de subida exigindo bastante da embreagem, no famoso anda e pára, e logo vi o que tinha bloqueado o único corredor de veículos que liga duas cidades com seus quase um milhão de habitantes. Quem vive em Suzano e trabalha em Mogi, como eu, ou vice-versa, conta apenas com um único caminho.  

A famosa, velha e saturada SP-66. Uma pista que há décadas serve de ligação entre as duas cidades. Desde quando se ter um carro era o luxo do luxo.

Minha opinião e de boa parte de quem depende da estrada é uma só: é preciso mais um caminho, pelo menos, para dar conta da alta demanda. Não precisa ser um especialista em mobilidade urbana ou um gênio na área do transporte para enxergar isso. Os anos passaram, projetos são apresentados, mas na prática a coisa não anda. 

E mais uma vez, um caminhão quebrado na altura da Coca foi capaz de atrasar a vida de centenas de pessoas na tarde da última segunda-feira, dia 13 de janeiro. A SP-66 continua sendo a única ligação entre duas cidades. Quem vai dar jeito nisso? Quando? 

Dá próxima vez acho mais fácil comprar um carro com ar condicionado. Com o vidro fechado, a fumaça preta do caminhão não vem direto na minha cara. 

Um comentário:

  1. Puts, segundona eu também estava no meio desse caos pra uma das entregas do Hipercap!!! E claro, também me atrasei!!!
    E eu super imagino você nesse calorão, falando que parece a cena daquele filme que esqueci o nome... ahahahaha

    :D

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