terça-feira, 15 de outubro de 2013

Eu sou careca

Resolvi assumir a calvície. Pela primeira vez na vida pedi para a cabeleireira usar a máquina nº 1 em toda a cabeça, há alguns dias. Antes pedia para baixar com a tesoura mesmo, mas resolvi mudar isso. Em vez de careca no topo, agora sou, praticamente, careca de cabeça inteira. De coração.

Aos 14 anos eu tinha muito cabelo. Porém, não era contente com eles. Cabelo preto e volumoso, mas sem forma definida. Na parte alta da cabeça, a continuação da franja, havia um ondulado desforme que me irritava. Tinha uma moda de deixar as madeixas arrepiadas com o uso de gel, mas quase sempre os meus cabelos não paravam nessa posição. 

Pouco antes dos 20, senti que todo aquele volume dos 14 já tinha desaparecido. Eu ainda ostentava cabelo, mas não como antes. Ainda usava gel, mas não como antes. Nem percebi que isso pudesse ser um sinal de calvície e vivi sem pensar nisso.

Anos a frente, aos 25, já havia sinais de desmatamento capilar. Pouco antes eu tinha ido ao médico e ele me receitou um shampo e um remédio via oral. Minha fé fez acreditar no suposto aparecimento de um pequeno percentual de volume, semanas após o uso dos medicamentos. Mas, na verdade, nada mudou.

Aos 30 eu era um verdadeiro careca. Falta de cabelos no topo da cabeça, e madeixas fortes no bojo do crânio, acima das orelhas. (Estilo seu Barriga). Já era uma referência.

Pois bem. Falando sério: aos 36 eu afirmo que a calvície não é algo que me incomoda. Não mesmo. Passei a máquina 1 em tudo, pronto. Ainda não tive coragem de usar a 0. Quando me sentei na cadeira da cabeleireira e informei que a máquina a ser usada era a de número 1, antes, ela quis saber se eu realmente tinha certeza daquilo. 

Dei o aval e a maquininha, com seu motorzinho elétrico e dentes afiados, devastou o pouco que tinha.

Pronto. Sou careca assumido. Vim caminhando pela rua por uns 10 minutos até minha casa. (Nesse dia resolvi ir a pé ao salão). A primeira pessoa a me ver com o novo visual foi minha mãe. Ela riu. Depois disse que eu estava parecido com o monge da novela das 6. Eu sou careca.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O canto da cidade desafinou

Minha adolescência se passou na década de 90. Era outro tempo. Época em que lançaram o Moving Sound Philips e do surgimento do News Kids on The Block. Também teve Guerra do Golfo e o tetracampeonato conquistado pela seleção brasileira de futebol. Eu vivia, como vivo até hoje, em Suzano. E foi justamente nesses anos que o time de vôlei da cidade se tornou o orgulho de boa parte de seus habitantes.

Uma equipe que conquistou vários títulos paulistas, brasileiro e até Campeonato Sul-americano. Suzano era a “Cidade do Vôlei”. Estrelas da seleção brasileira atuavam no time, moravam na cidade e desfilavam, muitas vezes a pé, pelas ruas General Francisco Glicério e Benjamim Constant. Era outro tempo.

O Portelão era a balada e a vibração o combustível das cerca de 5 mil pessoas que lotavam o caldeirão na Barão de Jaceguai, centro. Famílias inteiras frequentavam o ginásio nas noites de sábado, principalmente. Era o ponto de encontro. O time entrava em quadra embalado pela música “O canto da cidade”, de Daniela Mercury.  Era a abertura de mais um espetáculo. E a cidade nos noticiários. Um outro tempo.

No entanto, anos à frente e a situação muda. Suzano não tem mais aquela equipe de vôlei, a cidade quase que não se desenvolveu como deveria, o “esqueleto” continua lá e novos problemas surgiram. O “canto da cidade desafinou”. 
Cerca de 20 anos se passaram e eu vejo a minha Suzano protagonizando o noticiário policial por conta de crimes violentos que chegam a chocar o país.
Veja bem: num curto intervalo de um mês, a Rua Benjamim Constant e a General Francisco Glicério, que na minha visão são locais seguros e vigiados, por abrigar agências bancárias e contar com apoio de câmeras de monitoramento, foi palco de dois crimes bárbaros. 

Jovens são executados em tentativas de assalto. Crime tipificado como latrocínio: matar para roubar. Segundo a polícia, um dos mais difíceis de investigar, já que as vítimas quase sempre não têm relação com os atiradores.

Dias depois, a cidade é palco de mais um crime violento. Dessa vez com características de cinema e em plena zona rural. Bandidos armados com fuzis e metralhadoras, que derrubam até aeronaves, crivam de balas um carro-forte na pacata Estrada dos Fernandes. 

O grupo estava em dois carros blindados. Um dos veículos era adaptado para a guerra urbana. No porta-malas havia um suporte de apoio para o atirador. A única abertura eram dois orifícios usados para encaixar os canos das metrancas. Saldo: suzanenses assustados mais uma vez.
Sou jornalista e lido diariamente com esse tipo de notícia. Mas confesso que fico triste em ver minha cidade sendo corroída por essas ações brutais de ultimamente. 

A cada dia um novo episódio. E neste “campeonato” a ex-terra do vôlei está em desvantagem. E começa a perder “sets" importantes. O que a torcida suzanense espera é a virada, como sempre. Empurrada por milhares de gritos no Portelão. E deixar claro que, a cor dessa cidade é a cor da paz. 

Eis o blog

Há tempos penso em criar um blog. Mas sobre o que escrever? Acho que essa é a dúvida de boa parte dos interessados que quer começar com este espaço. Acompanho postagens de vários blogueiros: uns de longe, outros de bem perto. Pessoas que trabalham comigo, jornalistas de outras empresas, blogueiras de moda, de tecnologia e pessoas desconhecidas.

E depois anos de dúvida fui conclusivo num fim de manhã de domingo, pouco antes do almoço: escreverei sobre “coisas” do dia a dia. Ponto final. A partir de hoje começo a alimentar o Blog do Douglas Pires.

Sempre escrevi. Quando adolescente eu não tinha computador e registrava tudo em folhas de sulfite. Às vezes usava máquina de escrever. Pena que não guardei tantos desses registros. Depois, me tornei jornalista e a escrita se tornou minha profissão.

Antes de começar com esse blog passei a anotar ideias de textos há algum tempo. “Coisas” que vejo por ai. Situações pelas quais vivo, descrições, opiniões e conclusões. Bom, espero usar esse espaço, principalmente, para me divertir. Nada de altas críticas, textos áridos e especificações. Apenas escrever o que vir à cabeça. Apenas escrever. E que prossiga ao sabor do vento.